Ínclitos

É preciso coragem para se comprometer, para dizer o que se vê e o que se sente, sem medos nem manuais. Só vale a pena ser jornalista se for – como cantou Torquato Neto – para "desafinar o coro dos contentes". Fernando Evangelista

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Quanto vale um jornalista

Ivanir França

Quanto vale um jornalista? Fiz-me essa pergunta hoje (02/01/2012), enquanto estava lendo a coluna da jornalista, Eliane Brum. O motivo dessa autoanálise profissional foi o fato de ela transcrever sua perplexibilidade frente à “verdade”. Em 2000, ela conheceu um jornalista europeu, que simplesmente preferia “inventar” matérias ou copiá-las de outros jornalistas à escreve-las e/ou descrever algo.

Pois bem o que a deixou transtornada foi à proposta indecente dele – por um dia, Eliane deveria praticar o mal, não o mal inconsciente que todos praticamos, mas sim,  exercer o mal simplesmente pelo mal, consciente e pleno.

Ao ler isso por alguns minutos analisei essa proposta como se feita para mim. E neste momento lembrei-me de uma conversa com um amigo também jornalista que certa feita compartilhou – Nós perdemos o jornalismo utópico, o jornalismo verdadeiro.

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E foi o busão pro brejo

Ivanir França

Comercial da prefeitura de Florianópolis veiculada nas rádios: “É com agilidade que Florianópolis recebe você.”

Foto: Flora Lorena

A realidade

Florianópolis, terminal central de integração (Ticen), mas conhecido como o maior ponto de ônibus do mundo. São 17:56, vê-se filas acumuladas em todas as plataformas, na A, a linha -185- com destino a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) já está atrasada 6 minutos, o número de pessoas que já era inflacionado continua a aumentar, porém nenhum ônibus chega ou sai do terminal.

18 horas o número pessoas já é suficiente pra lotar a geral do Beira-Rio, várias pessoas chegando estupefatas do trabalho, insinuam para as outras que já estão ali: “hoje de novo”. Mais um horário do ônibus não é cumprido, agora os das 18 horas, que também não deu o ar da graça, no quadro de horários o próximo será às 18:10.

18:12 começam a chegar ao terminal algumas linhas, entre elas, beira-mar norte/ Ticen-Titri/Agronômica e findado encosta o escangalhado UFSC. Neste instante o número de pessoas aglomeradas às portas dos coletivos é algo bizarro, por alguns minutos imagino estar pegando metrô na Sé em São Paulo.

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A arte de ser artista

Por: Ivanir França

Ernesto Guevara de La Serna, um dos únicos mitos latinos. Suas representações imagéticas perfilam lojas do mundo todo, pessoas que nunca ouviram sobre, usurpam sua face em camisas mal estampadas em feiras públicas. Contudo, a Artista, Aline Marie Gobbi, fez da face de Che uma arte, representada em sentimentos e detalhes expressionistas.

Aline transmuta artisticamente com tinta e pincel, retratos  de ícones quem quer que você peça para ela representar em uma camiseta. A estudante de Artes visuais nascida em Lajeado- RS, desde os 15 anos já copiava de revistas os semblantes que lhe inspiravam.  O que lhe facilitou muito na representação do atual trabalho.

“Lembro de sempre ter esta questão quando criança: como pode todos termos olhos, nariz e boca e mesmo assim sermos todos tão diferentes?  A resposta veio com o ditado “O Diabo está nos detalhes” e é nele que me inspiro para chegar a precisão de cada traço da fisionomia das pessoas a serem reproduzidas. Uma linha errada e a pessoa , já não é mais a mesma” diz a artista.

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Não deixe o Samba Morrer

Por: Ivanir França

E agora Noel?

Na semana em que Florianópolis demonstrou um pouco de dignidade cultural e esboçou um contraponto na fatídica vida cotidiana dos ilhéus, com a Maratona Cultural. Tudo parecia estar se encaminhando para uma provável recuperação das faculdades culturais da cidade, o CIC, em vias de retornar aos bons tempos de turnês e eventos, a ótima iniciativa da cow parede, dando visibilidade aos artistas locais, assim como a Maratona fez. Para minha alegria, até a PEC para o exercício da profissão de jornalista fora aprovada no congresso, após anos de fatuidade política.

Não obstante, o ditado de que alegria de pobre dura pouco. Deparei-me, a pouco com a nebulosa notícia, de que algumas criaturas resolveram abrir um ataque desdenhoso contra a travessa Ratclif, centro cultural público, delimitado por lei como espaço para a realização de atividades culturais. O choramingo alegado de alguns moradores, é para com o barulho que se faz na travessa.

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E se…

Por Andrey Lehnemann

Invasão na rocinha, manifestações em Wall Street, marchas contra corrupção, ocupação da reitoria, massacres e passeatas. Acabamos o ano de 2011 em grande estilo e a data fatídica de 2012 nunca foi tão literal.

Existe uma seqüência em um stand-up comedy do grande George Carlin em que ele mostra como nossa sociedade pode voltar ao tempo das cavernas em apenas dois anos.

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Gente Humilde

por Andrey Lehnemann

De tênis surrado, calça rasgada, uma blusa amarrotada e um olhar que há muito tempo já havia se perdido, Maria Antônia esperava o ônibus na área continental de Florianópolis. Conversava com outras duas amigas, aparentemente do mesmo trabalho e com os mesmos olhares. A primeira amiga fitava o local de que haviam saído e começava a exclamar:

– Todos os dias a mesma coisa. Ele está pensando que não precisamos do dinheiro? Trabalhar todos os dias nessas condições e ganhar míseros cem reais por semana. É um absurdo!

– Sim – emendava a segunda amiga – como se pudéssemos esperar mais alguns dias ou aceitar que nos paguem menos esse mês. Quem alimenta as bocas lá de casa? Não é ele, garanto.

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Diferenças culturais

Por Andrey Lehnemann

Meu pai nunca foi de transparecer muitos sentimentos. Lembro de uma pequena entrevista que fiz com ele quando tinha perto dos 12 anos em que precisava fazer para escola. Aquele texto que toda a criança já deve ter feito um dia: “Meu pai, meu herói”. Eu e meu pai sentamos em um dos bancos do trapiche que fica na frente da minha casa e começamos a conversar sobre a época em que ele era criança, como ele brincava, qual era a diversão na época, suas experiências, amizades, bem… eu era criança, logo, só perguntava bobagens irrelevantes.

Entretanto, foi um dos momentos mais marcantes para mim por compreender outras épocas e captar uma realidade bem diferente da minha juventude. Quando um jogo de futebol poderia ser marcante apenas com uma lata de tinta ou quando pega-pega era uma das brincadeiras favoritas dos amigos ou quando apenas tomar banho de mangueira já era diversão suficiente para um dia. Meu pai me ensinou uma daquelas brincadeiras que você senta em uma tábua velha com rodas embaixo dela e desce de um morro. Não lembro o nome da brincadeira, mas era divertido.

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