Ínclitos

É preciso coragem para se comprometer, para dizer o que se vê e o que se sente, sem medos nem manuais. Só vale a pena ser jornalista se for – como cantou Torquato Neto – para "desafinar o coro dos contentes". Fernando Evangelista

Cotidiano

Por França, Ivanir

Histórias reais de uma cidade irreal

CotidianoPândega é uma terra erma, exígua e incrivelmente quente. Fundada em 1860, está localizada geograficamente no segundo estado mais ao sul, e, 20 milhas ao norte da ilha d`Esbórnia.

Pitoresca, a vila não possui muitos atrativos, o que torna o local pesaroso, chato e brega. Sua população, na maioria orgulhosa, despende a maior parte de seu tempo em xingar outros concidadãos no trânsito. Um dos principais passa tempos pandegueses.

Entre as peculiaridades do cidadão de Pândega está a incrível capacidade de locomover-se em verdadeiros aparelhos de som ambulantes. Estes geralmente a uma distância de 3cm do chão. Contudo, o principal passatempo dos pandegueses é utilizar termos literários, únicos em seu dialeto, para entoar jargões que apaziguam o recalque que sentem das duas capitais próximas.

Extremamente inteligentes os citadinos, além dos jargões, os xingamentos e os aparelhos de som ambulantes que alcunham de carro, furtam-se em  futricar e reclamar de tudo o que acontece na vila. Atividade essa causadora de furor nas principais redes da cidade. Há, até mesmo, grupos organizados que constroem teorias e discussões com centenas de comentários que não tem significado algum, exceto, claro, alavancar o ego dos debatedores. Alguns destes denominam-se tão importantes que constituem a lista dos seres mais inteligentes da Academia Pândega de Ciência, Letras, Cultura, Matemática, Surrealismo, Física e Qualquer outro tipo de ciência já inventada ou ainda não descoberta pelo Homem (APCLCMSFQH). Esses cidadãos possuem a mente tão avançada que conseguem traçar uma linha científica atemporal lógica entre o momento exato do cocô de uma mosca e o impacto que o ato causa na vibração da 3ª Corda do planeta Zaphod. No entanto, alguns obliterados moradores de Pândega, não entusiastas das rodas de reclamação, contestação, debates, charges e discursos – infindáveis de como a vida seria melhor se a curva da direita virasse à esquerda – alcunham os membros da APCLCMSFQH apenas de Zés Ruelllas. Assim mesmo com três Ls.

Segundo o ministério da saúde de Pândega, o Zé ruelismo já estaria extinto caso não houvesse a APCLCMSFQH. Estudiosos do Zé ruelismo atribuem aos fundadores da academia o surgimento dele. Para o ministério, não há uma data oficial do surgimento dos primeiros casos, apenas relatos dos primeiros casos à chegada de alguns estrangeiros, vindos do além mar. Relatórios da contra-inteligência da Polícia de Pândega apontam: esses senhores propagaram o Zé ruelismo em escolas e faculdades da vila. Todavia, ao passar do tempo os casos foram esmaecendo, restando apenas os membros da APCLCMSFQH como hospedeiros originais da praga. 

Trecho 1

O Legislador

Um dos membros mais ínclitos da APCLCMSFQH auto proclama-se: O Legislador. Eleito com poucos votos, algumas ameaças, beijos em idosos e criancinhas – estas em tratamento químico para limpar suas memórias do ocorrido. O legislador possui as feições de um porco estrábico, estética que rendeu-lhe a alcunha de Napoleão, contudo, iletrado, ele não preocupa-se, pois acredita que o adjetivo, direcionado a sua pessoa, é uma comparação ao “saudoso” imperador francês.

Embora acéfalo, o legislador foi agraciado com uma cadeira cativa na APCLCMSFQH, pois dentre os imortais é um dos principais propagadores do Zé ruelismo. Em Pândega ele não é muito bem quisto, porém garante que trouxe benécis à vila. Desde sua chegada houve até mesmo mudanças na língua local, algumas palavras complicadas foram alteradas por ele. E atualmente não há mais necessidade de pronunciar ou escrever o R na palavra PROGRAMA.

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